quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Maria, Maria ...

 



Quando eu nasci, uma fada malvada

Nem anjo, nem torto querubim

Murmurou, num riso ruim

Vai, Cátia, na vida ser Maria !

Misturadas,  dor e alegria

Ficaram marcadas  em mim

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Menina, menina...




Essa menina que me habita, que pergunta tudo e nada sabe
Essa menina fora de hora, tão aquém da mulher madura
perdura, curiosa, crente de tudo
de que já descri.

Ela sussurra coisas de que já me esquecera
me ensina outras que nunca aprendi
me mostra um mundo inquieto
a mim, que tenho procurado a quietude
na vida...

Essa menina é louca!
quem lhe deu o direito
de se fazer presente, em horas inesperadas
e se ir assim, deixando esse vazio
Esse gosto de perguntas tolas
De respostas sem perguntas
tão tardias...

As marcas na face
as luzes douradas
as mágoas todas
a solidão....
E essa menina que insiste em surgir
que insiste em ser


essa menina...

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Anoiteceu






Anoiteceu.


Seus braços não estavam ao meu redor
O frio também não
E meu corpo se quedou só...

Não havia sequer um afago...ou um tapa
Que me fizesse sentir viva
Temi...

Todos os segredos
Que guardei
Em teu corpo frágil, rígido, presente...

Nada se perdeu.
Nem a tua voz
Nem o meu desejo.

E nesta noite tão próxima
Temo te perder
Na escuridão mais forte

Que todos os gritos
Que até hoje
Calamos.

Inútil Luar




                         

         



Hoje faz luar
Inútil
Não há partilha de olhares
nem de afagos ao mar

Inútil luar
que prateia a noite
traz suave magia
traduzida em teu olhar

Fria, distante
Tão linda lua...
Que não nos viu
Esquecida entre nuvens

Nem o suave perfume
Que me cheira a jasmim
Compensa o vazio
A falta que fazes em mim..

Tão brando tudo
Tão branco jasmim
Tão inúltil luar
Que não te traz pra mim...




quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

A perda


De todos os meus ais
O mais fundo
O mais doído
O mais sonoro...
Você.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Surpresa




Já não somos desejo.
Teu corpo não procura o meu
Minhas mãos já não se perdem
Em teus pelos que se fecham
Em extensas matas e solidões.

Já não habitas meus sonhos
Que se abrem ao estranho
Nunca antes sonhado
Sem viver presente
Futuro ou passado.

São dois os olhos que me perscrutam
Sem que encontrem eco
São duas as dores que me perguntam
Haverá entre florestas
Caminhos que me levem?

Era pra ser porto seguro





Esse amor contrário a tudo
Que nasceu em mim
E brotou em ti
Que se faz antigo em mim
E possível em ti...

Esse amor que na dúvida cresceu
Na angústia do não saber
Do não ter
Embora tivesse tento
Esse amor...

Fruto da minha carência
Resultado de minha procura
Engano de estrada a trilhar
Desculpa pra não voltar
Dúvida que te faz ficar?

Era pra ser porto seguro
Estrada pra se ficar
Sonho pra não acordar
Canção pra se cantar
Verso pra poetar