Voltei repleta de sal e sol, com a alma banhada de azul, a boca sabendo a lúpulo e o coração a amor...
Voltei repleta de sal e sol, com a alma banhada de azul, a boca sabendo a lúpulo e o coração a amor...
Em cada pétala,
a suavidade do beijo
Que cobriu a face
Que marcou a boca
Que percorreu o corpo
Em tempestades de desejos.
Em cada beijo
O desejo de muitos mais
A volúpia ardente
Que invade corpo e mente
Num acorde estonteante
Sem fim.
Em cada lembrança
A mesma história contada
Em luzes e faíscas
Que o destino apagou
e deitou estrelas
Céu abaixo
Você, que vem de dentro da saudade que eu sentia
Da minha fantasia...
Você que traz na voz
os sonhos que sonhei
Os braços que abracei.
Você que não sai de mim
Um momento sequer
Que me faz viva, ser mulher
Você, um verde que me visita
Trazendo antigos olhares
Para afastar os azares.
Você que já foi tudo
Um mundo, um bem-querer
Voltou para me dizer
Que vale a pena viver...
Um dia inauguramos uma vida.
Desconhecidos do destino
Nunca conivente, agora
nem próximo nem distante.
Órfã desse amor
Banhado em saudade
Amigo de anos a fio.
De que tanto preciso.
Que fios foram puxados
Para tão longe?
Que fios te levaram
Meu amor distante?
Nunca mais tuas mãos
Nunca mais tua voz
Nunca mais teu carinho
Nunca mais seremos nós...
O corpo estremece à tua imagem.
Na pele a memória desperta
das tuas mãos
dos caminhos percorridos
em nossa paixão.
Há sempre algo para fazer
uma espera, um depois
que não pode esperar.
Adiadas as palavras
postergados os afetos
descobre-se o deserto
de jardins de inverno.