sexta-feira, 15 de março de 2019

Onde anda você?




O teu silêncio me consome.

Nem o som do teu violão
Nem o carinho dos teus versos
Nem o sussurrar dos teus olhos
Apenas adivinhados
Em quilômetros de estrada e ar.

Um vazio imenso.
Na estrada teus olhos me seguem
Em verdes galhos
Em douradas flores
Que se escondem na noite
De minha volta.

Tantas as questões!
E só o teu silêncio me responde
Em noites mal dormidas
Em suspiros inexplicáveis
Em angústias que não se definem
Nem se apagam de minha pele.


Sumiu-se você
Sem que eu pudesse entender.
Este vazio
Depois de tantos anos


Queria tua voz
Queria teus versos
Mesmo na distância

Mesmo sem  o calor de teu corpo distante                                  
lume de minha solidão
 por  tanto tempo.



terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Epifania



Não me  cabem preces na boca
seca que está
de saliva  benfazeja
que lubrifica espaços
que abre as portas
para o gozar...

Calaram-se as palavras vãs.
Não se cabem agora.
tempo de ordem, de dizer
tudo que não dizia
tudo que não entendia
e que não posso mais calar .


Solidão



Apagar teus rastros.
Defesas do coração.

Encontros


Para Dilson Kruger

Nestes tempos pútridos
de dor, sem justiça, sem amor.
Nesses tempos em que
o doce não substitui o fel
em que a ilusão não apaga
a certeza da dor.

Neste tempo em que se perde pai
quando dói na alma a solidão
daqueles que foram amor
quando a guerra fria da palavra
queima mais que a chama
que penetra a carne e a alma.

Neste tempo de dor
 na calma necessária à alma
te recebo em comunhão
pois mais que no corpo, marcas,
 em minha pele tua essência
que nos aproxima e faz um.


Vislumbres

Nenhum dos antigos portos
visitados, imaginados, sonhados.
velas queimadas
os gritos calados
o céu avermelhado
como o amor.

Navegar-te assim
vento, arco-íris
sal e dor.
Amanhecer  colorido
no dessabor.
Foi perdido?

Nada a declarar.
depois do silêncio
Depois dos afagos todos
das noites , nem sempre serenas
depois o despertar
dos sonhos que queria sonhar.

Sonhos e despertares.
Sonhos a mais sonhares.
sonhos que se fazem vivos
todas as noites
todos os dias
que me contares.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Sextilhas





Cachorro sem dono
Vem, cativa e se vai
E fica o doce olhar
O afago fugidio
A arte de fugir
Que faz conquistar.

Cachorro sem dono
Que se vai sem ir
Que deixa na alma
A indelével marca
O hálito de malte
Que  tanta falta faz.

domingo, 15 de abril de 2018

Percepções



Do efêmero
a relatividade
vidas, sonhos, sentimentos
ao sabor do vento...
Vem, tempo!

A tua boca
a minha
palavras ditas, pensadas
em frações de nós
que se vão.

A tua lágrima,
a minha
de marcas apagadas
já não têm sentido
se caladas.

Nem querendo ser
sou
O que fui
escorrega-me entre dedos
e se perde
em tudo.